segunda-feira, 2 de maio de 2011

Chuva...

Chuva
(para o meu Bem)

Gotas de chuva caíam no asfalto. Agarradinhos em uma das esquinas escuras da cidade, ela e o namorado, até pouco tempo antes, estavam tremendo do frio repentino causado pelo vento.
Do outro lado da rua, um bêbado tentava desvencilhar-se da água, mas seu corpo de mau equilibrista mal conseguia arcar com o próprio peso e caía novamente deixando que a água lhe cobrisse os olhos, o nariz e lhe enchesse a boca de um líquido que já não era mais água ardente, mas apenas água.
Antes de repararem nas gotas da chuva, o jovem casal havia apenas reparado no efeito desta em seus corpos encharcados pelo frio. Aproveitando o momento, o rapaz enlaçou fortemente a namorada que instantaneamente abrigou seu corpo ao dele. Foi então que ela sentiu o enrijecimento do bico dos seios comprimirem a camisa molhada do rapaz. Ruborizada, a moçoila afastou-se um pouco e procurou pensar em outra coisa chamando a atenção do namorado para o bêbado do outro lado da rua.
Olhando para o jovem alcoolizado, o rapaz não pôde deixar de pensar que, entre ele a namorada e o bêbado, ninguém poderia decidir com presteza quem estava mais preocupado em manter o equilíbrio. O bêbado, já quase inconsciente, não tentava apenas se levantar daquela calçada molhada, mas tentava se reerguer na vida. Ele e a namorada, por outro lado, tentavam manter um equilíbrio entre o desejo que sentiam um pelo outro e as lembranças das palavras ditas pelos pais sobre a importância de se manter a castidade.
Sem o saber, a moça sentia o mesmo, mas nunca havia tido coragem de tocar naquele assunto que, para eles, era tão proibido quanto a sobriedade para o viciado do outro lado da rua.
De repente, como se tivessem combinado, moça e rapaz olharam para o negro asfalto e, de repente, aos olhos de ambos, as gotas da chuva mais pareciam estrelas que caíam no negro asfalto.  Eram estrelas formadas de água que saltavam das nuvens sem pára-quedas e atravessavam a escuridão do espaço sem medo de correr riscos, apenas com o objetivo de sentir o prazer de tocar o chão. Elas eram muitas  e pareciam se multiplicar a cada segundo conforme aumentava a foca da tempestade..
Em poucos instantes, a rua ficou deserta e o casal começou a sentir uma estranha paz invadir-lhes a alma. De repente, tudo pareceu a eles muito certo. E o amor que sentiam um pelo outro se confundiu com o desejo. Se algum anjo passou por ali, pôde perceber que, em apenas alguns minutos, dois corpos transformaram-se em um só enquanto eram abençoados por gotas de chuva que mais pareciam estrelas.


2 comentários:

  1. [glorian] [gnvelasco@uol.com.br] [nda]
    Texto poético. Plasticamente as imagens se moldam à imaginação. Talvez pudesse tornar-se mais essencial, radicalizando para a poesia e menos explicativo.

    15/10/2007 23:09

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  2. Ana Boy] [http://proanaboy.blogspot.com/]
    A tua imaginação aliada à forma como escreves, resulta em pequenas obras maravilhosas. Já vi que és tremendamente romântica também, isso é uma grande qualidade humana. bjs, adorei o conto *********

    27/09/2007 18:08

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