segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ela





 
Ela

é uma dor que dói pingando todo mês
e que me faz chorar outra vez

O sol do meio dia




Sol de meio dia


Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já sentiu o sol do meio dia. Ele aprece nas situações mais simples da vida e costuma brilhar tanto que deixa nos deixam cegos. Por isso, muitas vezes, passa despercebido de tanto brilhar e a gente só consegue vê-lo em uma noite qualquer, quando estamos batendo papo com amigos recentes que quase não sabem nada da gente, mas que nos conhecem tanto porque somos iguais a eles apesar de tão diferentes.
Nessas conversas de esquina que começam do nada, mas se abrem como flores da primavera, o sol de meio dia aparece nas lembranças de infância nas quais nós, juntamente com meus três irmãos, nos sentávamos com nossa mãe na varanda lá de casa durante as férias frias de julho a jogar conversa fora enquanto nos aquecíamos uns aos outros mais do que o sol aquecia a gente. Duvido que exista no mundo, alguém com lembrança mais doce que a voz da minha mãezinha nos contando, naqueles momentos os segredos do mundo inteiro. Segredos do tipo que só as mães sabem, porque guardam no peito o calor intenso do sol de meio dia.
Nessas conversas de viagens longas em que nos sentamos ao lado de um estranho próximo, também costumamos nos lembrar do sol de meio dia. Talvez porque enquanto olhamos a paisagem dos postes que correm e se confundem com as árvores, confundimos também nossas conversas e entregamos ao outro a lembrança daquela tarde de domingo em que, deitados sobre o peito nu de meu pai, eu dormi uma tarde inteira. E no meu sonho as vozes das personagens se confundiram com o palpitar de seu sangue.  É por isso que eu duvido que possa existir no mundo, alguém com lembrança mais doce do que o cheiro da pele do meu paizinho contando-me os segredos do mudo inteiro. Segredos do tipo que só os pais sabem, porque guardam no peito a paz e a segurança que retiram do calor intenso do sol de meio dia.
Outras vezes estamos no corredor de um hospital qualquer esperando notícias de um ente querido. E começamos a conversa falando do calor, ou da vida, ou da morte. E de repente eu em lembro daquelas madrugadas de longas conversas com meus irmãos. Os quatro deitados em camas separadas, porém tão juntas. E, enquanto trocávamos segredos de alcova, soltávamos gargalhadas que alcançavam as estrelas e a lua. E os cometas e todo o universo paravam para olhar para aquelas quatro crianças cheias de sonhos. É por isso que eu duvido que possa existir no mundo, alguém com lembrança mais doce do que a alegria de meus irmãos contando-me os segredos do mundo inteiro. Segredos do tipo que só os irmãos sabem, porque guardam no peito a cumplicidade que retiram do calor intenso do sol do meio dia.
Às vezes parece que o sol do meio dia se pôs para sempre. Talvez porque o tempo tenha varrido a varanda da antiga casa. E tenha me feito crescer tanto que já não me encaixo mais no colo de meu pai. Talvez porque cada um dos quatro irmãos tenha tomado um rumo diferente na vida. Cada qual com seu quarto e sua cama. E seus problemas e seus sonhos.
Mas outras pessoas vieram. E continuam vindo. É que em alguns momentos o sol de meio dia está apenas a me cegar de tanto brilho.                               

domingo, 19 de agosto de 2012

Frase II


"Se a casa de um homem não
 serve quando ele é um mendigo, tampouco ela servirá quando ele tornar-se rei."

Frase!




O verdadeiro amigo entende a dança com tamanha intensidade que esquece até de ouvir a música.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Pequenininha

Pequenininha




Caiu a chuva dos olhos
da menina do sertão
Em cada gota se ouvia: 
quero pão; quero pão

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Necessidade

Necessidade



Seria necessário pegar o sol  do meio dia
para reaver o calor que você levou

Seria necessário alcançar as estrelas
para ter de novo o brilho do seu amor

Seria necessário o branco da lua
para clarear a minha visão escura

E enxergar de novo o caminho

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Vida lenda


Vida Lenda
( para o Raiad )

bola de pano
rolando na rua
é o saci, menino, buscando a lua

pipa quadrada
colore o céu
e a vida, menino, é de papel

que você dobra
que você rasga
 que você pinta e depois apaga


terça-feira, 24 de julho de 2012

Parole



Parole




Palavra bonita é amor
Palavra engraçada é palhaço
Aquela que dói é a dor
E a que nos faz dormir é cansaço

Palavra que cura é doutor
A que reparte é pedaço
Se inspira respeito é senhor
Se todos precisam é espaço

Quando se esconde é segredo
Se sangra é machucado
Se te diverte é brinquedo

Se te alegra é esperado
Se se agiganta é soberbo
Se nos dá paz é sagrado

Jeito de olhar


Jeito de olhar



No princípio Deus criou o céu e a Terra, mas a Terra não era assim como é hoje, não. Ele era total e infinitamente rosa. As flores eram rosadas, as árvores eram rosadas, até os riachos eram cor de  rosa. Isso porque, ao contrário do que dizem por aí, o universo era essencialmente feminino.
 Pois é. Ao contrário do que todo mundo pensa, o homem não foi criado antes da mulher. Essa história de que Deus fez o homem a sua imagem e semelhança é puro machismo, pois o homem, por se imaginar superior a nós mulheres, colocou-se como protagonista dessa história.
Mas isso não interessa agora. O importante é que você, leitor, saiba que, após criar aquele mundo tão bonito, Deus pensou em uma maneira de deixá-lo ainda mais especial. Para isso criou um ser angelical, doce e generoso ao qual deu o nome de Mulher.
Então a Mulher passou a ser tudo para Deus. Ele a ensinou a mar os bichos, a sentir o vento, a ouvir a chuva, a cheirar o perfume das rosas e a sentir o gosto de quase todas as frutas criadas por ele. Digo quase, porque, como você sabe, a Mulher foi proibida de provar a maçã. Por isso, com todo o carinho que lhe é característico, Ele a chamou em um lindo jardim e lhe disse:
 - Eu criei esse mundo perfeito para ti, minha filha e tu poderá fazer nele e dele o que quiseres. No entanto, peço-lhe que me prometas apenas uma coisa: tu jamais provarás da fruta vermelha chamada maçã.
- Mas por que não, papai. Uma fruta tão bonita... Como pode fazer-me mal?
- A beleza  é apenas aparente, minha querida – respondeu paciente o Criador – Há pelo mundo muitas outras belezas. Belezas de ouvir, de sentir, belezas de cheirar.
- Mas se não posso tocá-la, por que a criaste, papai?
- Para que tu percebas que podes ser feliz com o que tens. Se tocar da fruta proibida, tu iniciarás uma busca sem fim por algo desconhecido e raro de se conseguir.
- E o que seria esse tão precioso tesouro? - perguntou a mulher muitíssimo interessada.
- A paz, minha filha. A paz.
- Então eu prometo, papai. Jamais tocarei na fruta vermelha.
Depois daquela conversa, por muitos anos, a Mulher viveu feliz no paraíso. Não precisava de mais nada, pois tinha Deus como companhia.
Porém, como nada é definitivo, certo dia, enquanto caminhava pelo bosque (que como todas as histórias mostram, é a morada do perigo), a Mulher encontrou um animal rastejante chamado cobra. Como jamais havia visto aquele bicho esquisito antes, nossa protagonista ficou muito interessada em observar aquele bicho curioso.
Serpenteando feito curva de rio, a cobra chegou perto da Mulher e sussurrou-lhe ao ouvido:
- Por que tu não provas da maçã? Ela é realmente uma frua maravilhosa.
- Meu pai não quer que eu a prove – respondeu a Mulher – Ele disse que ela me tiraria a paz.
- Ora, não sejas boba. O que ele não quer é que você saiba a verdade.
- De que verdade falas? – perguntou a Mulher.
- Se eu falar perde a graça. Experimenta e verás.
Bom, não é preciso contar essa parte da história, pois é lógico que você sabe que, mesmo sendo filha de Deus, a Mulher era humana e que só isso bastava para que fosse imperfeita. O que foi suficiente para que desse a famosa mordida na maçã.
Imediatamente, alguma coisa mudou dentro de seu coração. A Mulher sentiu de repente que algo lhe escapava da alma. Foi nesse exato momento que ela ouviu a voz de Deus:
- Estou muito desapontado, minha filha. Tu já não tinhas tudo o que precisava?
- Perdoa-me, pai. Prometo jamais desobedecer-lhe novamente. Devolva-me o paraíso interior, por favor. – suplicou-lhe a Mulher.
Mas Deus é justo e sua palavra é lei.
- Eu lhe dei de graça o paraíso – disse ele -  Porém tu o jogaste fora quando perdeste a fé em mim. Agora terás que reconquista-lo.
- Mas como poderei fazer isso, Senhor?
- Através do sofrimento. Só através do sofrimento sua alma será purificada.
- Mas como eu faço para sofrer? Por acaso irás me abandonar?
- Como podes pensar isso de mim? Meu amor por ti é maior do que todo o paraíso. Tu és parte de mim. Teu sofrimento é meu sofrimento.
Chorando a Mulher ajoelhou e disse:
- Farei qualquer coisa para conseguir novamente o que eu tinha. Não me lembro exatamente o que é, mas sei que preciso ter de volta.
- Então terás que confiar na minha palavra e passar por todos os túneis escuros sem medo.
- E quando tudo estiver escuro, como enxergarei o caminho?
- Eu emprestarei meus olhos para ti. Agora fecha os olhos e confia em mim.
A Mulher obedeceu e Deus, pousando as mãos em sua cabeça, a fez adormecer e, com grande pesar criou a partir de sua costela, aquele que a levaria a passar por muitos túneis escuros: o Homem.
Foi nesse momento que o mundo deixou de ser totalmente rosa para transformar-se nessa confusão de cores que é a nossa vida.
E, enquanto Deus via seu paraíso transformar-se,  disse baixinho:
- Sinto muito.
E desde aquela época, a mulher ainda sonha com um mundo cor-de-rosa.

sábado, 14 de julho de 2012

Inconstância

Cada por do sol uma morte
Cada surgir de estrela uma vida
Cada adeus no coração novo corte
Cada chegada tristeza varrida

Cada fase da lua uma sorte
Cada briga uma despedida
Cada um para o sul ou pro norte
Cada lágrima nova partida

Mas se o sopro do vento pro leste
faz curar no peito a ferida
O sopro do mesmo pra oeste

faz do encontro uma chance surgida
Cada jogo de olhar novo flerte
Cada beijo, nova recaída



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Renata Maria

Renata Maria

Começo da noite em um março qualquer
Uma
Duas
Três garotas e mais uma
se encontram no estacionamento
Festa dos números e o destino se cumpre
Laço se dá para nunca mais soltar
apesar da chuva
 apesar do sol
 apesar delas mesmas
Mesmo longe estão sempre perto
em pensamento
e do sentimento que se fazem ser
uma da outra
 e da outra
 e da outra...
e agora elas não mais podem ser se não forem quatro
podem apenas estar ( se forem três)
ou parecer ( se forem duas)
são fórmula composta de quatro elementos
a terra
a água
o fogo
o ar
são trevos da sorte em jardim de inverno
verde, fresco, limpo, trevo
São crianças virando gente
Quatro jóias
Lindóyas


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Madrugada

Madrugada adentro
Dentro
Do coração
Escuro no céu
Escuro na boca
Saudade do dia que não veio
Medo do dia que vem

Só um vazio no peito
Um não sei o quê na alma
Vontade de não estar mais
Aqui
Nem ali

Vontade de não mais querer
de não mais ter
Vontade de não mais ser
Madrugada adentro

terça-feira, 15 de maio de 2012

O tempo...

tempo passa

Às vezes rápido demais.
Mas a gente tem a teimosa ilusão de que sempre vai ter tempo.
Tempo pro amor, tempo pros amigos, tempo pra família, tempo pro cachorro, tempo pro vizinho...

Tempo...
Só que o tempo é areia fina que o vento leva
E de repente quando a gente acorda e diz que agora o tem ele já foi.
De repente não estão mais ali nem o amor, nem os amigos, nem a família, nem o cachorro, nem o vizinho.
Outro dia vi na televisão alguém dizendo que o ser humano tem a ilusão de ser eterno. Boba ilusão mesmo. Se parassemos para pensar nas pessoas e na gente mesmo da maneira como realmente somos, ou seja, efêmeros, nós arrumaríamos muito mais tempo para aquilo que realmente importante: ficar mais dez minutos com o nosso amor, jogar conversa fora com os amigos, discutir o final da novela com nossos pais, afagar a cabeça do cachorro, sentar na calçada com o vizinho.
Tempo...
Será que ele existe?